25 de agosto de 2008

Fluxo para Doação de Medula Óssea

Para facilitar o entendimento de todo o processo de doação de medula óssea a Unicamp montou um fluxograma que vem junto de um folheto explicativo sobre o assunto. Abaixo segue o fluxograma(clique na imagem para ampliar).
Onde diz "Unicamp" entende-se que pode ser o hemocentro mais perto de sua residência onde é possível fazer a coleta.
Abra

25 de julho de 2008

O que fazer?!

Quando estava internado um dos problemas era como passar o tempo. Achar um jeito de você se distrair, fazer algo, sem ficar pensando em besteira ou lembrar da situação ruim pela qual está passando.

Lógico que a televisão é a primeira opção! Assistia tudo que é porcaria na TV. Começava de manhã, lá pelas 8:00, quando acordavam a gente trazendo o café da manhã. Nesse horário ainda se consegue assistir um pedaço do jornal antes de começar o programa mais esperado... Ana Maria Braga! Sensacional!
Agora ela fica inventando umas coisas para tentar ganhar audiência. Na semana dos namorados ela fez uma espécie de "Namoro na TV", na outra semana foi algo relacionado a moda. Divertíamos-nos com estas besteiras.

Depois ia tomar banho e a médica normalmente passava pela manhã. O resto do período ficava comprometido, mas ainda dava para ver uns desenhos aqui e ali.
A tarde, depois de ver os noticiários, local, nacional e esportivo vinha o Video-Show! Que é "Show"! Agüentar aquilo era dureza... E tudo piorava quando começava "Vale a pena ver de novo" com Cabocla! Ahhhhh! Ao menos assistindo a novela descobri uma música do Milton Nascimento bacana.
Agora sim, Sessão da Tarde!!! Se não for um filme da Xuxa tá bom. Senão vou colocar na SporTV (isso se o hospital tem TV a cabo) para assistir uma mesa redonda de futebol (que é o que passa na SporTV o dia inteiro!) que sempre diz as mesmas coisas.

Aí começa a parte mais tenebrosa. Uma novela atrás da outra. Primeiro é Malhação. Arf!!! O jeito é ficar zapeando por algo em outro canal e torcer para encontrar algo! Um noticiário, qualquer coisa. Depois, no Jornal Nacional assistimos várias notícias repetidas que já vimos no Jornal da Band e no Jornal da Record. Pior ainda é ver exatamente a mesma matéria nos canais da Globo. Teve um dia que passou uma reportagem que o Giba (da seleção de vôlei) tinha machucado no Globo Esporte. A mesma matéria passou no Globo News outra hora que estávamos assistindo. Mudando para o SporTV, que matéria sobre vôlei está passando?! E para completar com chave de ouro ela passou no Jornal Nacional e no Jornal da Globo. Poxa, porque eles não pensam nas pessoas que não tem o que fazer e ficam em frente da TV o dia inteiro?! :)
Bem, voltando ao Jornal Nacional, aguardamos então ansiosos pela novela das 8! Uau!
Pior que a Mary começou a ver e ficava assistindo todo dia. Mas não tínhamos muita opção bem da verdade.

Quando a TV enchia a paciência recorria para uma palavra cruzada ou uma revista, algo assim. Mas não durava muito e acabava voltando para a TV... Hehehe.
Se ocupando de alguma coisa, está tudo certo.

13 de julho de 2008

Cream Cheese?!

Até pouco tempo, para mim, quando alguém falava em Philadelfia logo lembrava, ou da cidade americana, ou da marca de um gostoso cream cheese que compramos no mercado.
Mas as coisas mudam...
Assim que descobriram minha doença a médica disse que precisava fazer um exame para saber o Philadelfia!
"Saber o Philadelfia?! Culinária agora?!"
Hummm... Uma daquelas tortas de cream cheese e chocolate veio a minha cabeça rapidamente. Já fiquei com água na boca.
Bom, voltando ao que interessa, depois da dúvida inicial acabei esquecendo do assunto.
Passa um tempo chega o resultado. "O Philadelfia é positivo". Aquela torta super saborosa e vistosa voltava aos pensamentos.
"Mas o que isso significa?!"
Aí a médica começou com uma explicação de alteração cromossômica, de cromossomo 9 e 23 ou algum outro que não me lembro qual. Não via o assunto desde o colegial. Viajei! Se quiser saber mais pergunte a um médico!
"Sou um mutante então?! Um X-Men?!"
Só sei que por causa deste tal "Philadelfia" tenho que tomar mais medicação e deu a certeza da necessidade do transplante... Arf...
Preferia quando era só um Cream Cheese.

6 de julho de 2008

Enfermagem

É triste quando chegamos no hospital e os enfermeiros já te conhecem. Não pelo fato deles já saberem como você é e como te tratar. Por este lado é muito bom! Mas por estar
voltando a ficar internado.

No hospital há vários "tipos" de enfermeiros e passamos por diversas situações.
Normalmente de dia tem uma equipe grande, não demoram para te atender e o pessoal é
prestativo e bem humorado. A noite a coisa muda. Geralmente o número de profissionais é
menor e as vezes estão até desfalcados. A noite no fim de semana então... Ferrou! Sem
contar que boa parte é carrancuda.

Seguem alguns tipos e características:
A Folgada - Ela adianta sua medicação só para não atrapalhar o jantar dela. Ainda usa seu
termômetro pois diz que o dela é muito ruim!
A Perfumada - Por onde passa você sente o cheiro do perfume.
A Esquecida - As vezes esquece uma medicação aqui, um comprimido ali. Não é por mal. É
bom sempre ficar atento ao que está tomando.
O Conversador - Chega no quarto e fica trocando uma idéia. Normalmente só quer te
distrair um pouco daquele clima hospitalar.
O Despertador - Sempre quando você está na melhor parte do sono vêm o cara trocar sua
medicação ou aferir alguma coisa.
O Acupunturista - É uma sacanagem dizer isso, mas o cara parece que quer tem furar a
todo momento! Bem, se for o cidadão do laboratório ele realmente vai querer isso! Hehehe!
O Zoador - Sempre tem um que torce para o time rival do seu. Até eu que torço para o
Atlético-MG fui encontrar um cruzeirense. Você já está internado e ainda tem que aguentar
zuação... dureza. Felizmente este enfermeiro não ligava para futebol e nem falava muito. Aliás, era muito gente boa.
O Cara - Sempre que precisa de algum procedimento diferenciado ou de uma decisão tem que
falar com o chefe dos enfermeiros. Ele é o cara!
A Enrolada - Você chama ela, chama, chama várias vezes, ela diz que vai, enrola, enrola,
enrola e um tempão depois, quando você já deu um jeito no que precisava ela aparece.

Mas independente do enfermeiro eles são nossos "anjos da guarda".

9 de junho de 2008

To de molho...

Esta semana não estarei escrevendo textos... mas espero que fim de semana já retornar as atividades!
Abração!

2 de junho de 2008

Ovo frito com macarrão

O tratamento de quimio e radio sempre tem uns "efitozinhos colaterais". Algo meio chato é a mudança de paladar. Você chega para comer aquela comidinha gostosa. Hummmm. Dá até água na boca. Primeira garfada. Afe! O que é isso?! Não sei, mas não tem o sabor que sei que tem. Para onde ele foi então?! Boa pergunta... São alterações na mucosa da boca, papilas gustativas entre outras coisas... Me parece que é isso. Putz! Frustrante! Quando chega na hora de engolir a comida não desce direito. Desce quadrada, meio estranha. Na segunda garfada já está aquele embaço.

Mas não tem erro não. Vamos encontrar algo que a gente coma e que desce! Afinal, ficar sem comer não dá! Tem que por algo para dentro!
Ultimamente o que tem ido para dentro é macarrão com ovo frito. Coisa estranha, mas é o que vai. E se é o que vai, vai isso mesmo.
A gente vai buscando alternativas, vendo outras coisas para comer e vai buscando.
Pelo visto é tanto ovo que vou ter que fazer uns exames de colesterol! Hehehe.

Tem época que a imunidade está mais baixa e o cuidado com a alimentação tem que ser redobrado. Normalmente já devemos evitar comida crua para evitar contaminação, mas nestas fases mais ainda. Nada de frutas e sucos naturais. Tudo muito, muito, muito bem cozido.
Quando a imunidade está legal tento umas tranqueiras de vez em quando. Espero que minha médica não fique brava ao saber que tentei comer um McCheddar outro dia. Mas o sabor... Poxa, estava tão ansioso pelo Cheddar... Mais pra frente eu tento de novo!!! Hehehehe!

28 de maio de 2008

Estatísticas

O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) foi criado em 1993 mas apenas em 1998 passou a ser coordenado pelo Instituto Nacional do Câncer.
O número de doadores cadastrados tem aumentado ano a ano, mas ainda precisa de muito mais gente devido a dificuldade de encontrar doadores compatíveis.
Abaixo estão informações de como o banco cresceu nos últimos anos. Agradeço a Daniela Rangel, da Divisão de Comunicação Social do Instituto Nacional de Câncer por estas estatísticas.

Crescimento de cadastrados do REDOME ano a ano:


- Até 1999: 9.529 doadores
- 2000: 11.981
- 2001: 20.436
- 2002: 35.809
- 2003: 49.585
- 2004: 80.345
- 2005: 135.346
- 2006: 301.190
- 2007: 556.478
- 2008: 687.903 (até abril)

Existem diversas curiosidades por trás destes números que pesquisei na internet. A mídia influenciou bastante certamente. As novelas foram um grande chamariz de doadores. Principalmente a Laços de Família, transmitida na Globo de junho de 2000 a fevereiro de 2001. Segundo reportagens da época
(http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/qtv070220016.htm), desde novembro de 2000, quando a leucemia começou a ser abordada, até a segunda semana de janeiro, a média de cadastrados saltou de 20 por mês para 900, um crescimento de 4.400%. No Disque-Saúde o número de consultas sobre a doença passou de 871 para 2.427 no mesmo período.

Recentemente na novela Sete Pecados, da TV Globo o tema foi abordado novamente. “Trazer um problema como esse ao grande público e mostrar como um transplante pode fazer a diferença é muito importante, pois pode motivar as pessoas a serem doadoras”, reconhece Merula Steagall, presidente da Abrale -Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia em uma reportagem (http://www.medimagem.com/secao.php?id=4782&s=2)
Outros folhetins retrataram a leucemia, como a Malhação em dezembro de 2006 e a Novela Cristal no SBT no mesmo ano, um remake da novela mexicana "O Privilegio de Amar" exibida do SBT em 1999.

Recentemente o que têm contado com o crescimento do banco são as campanhas de diversas entidades e do INCA.
Hoje existem 120.000 pacientes esperando por transplante.
Segundo o site da Associação da Medula Óssea a chance de encontrar uma medula compatível no registro brasileiro é em média 1:100.000!
Por isso a importância de aumentarmos o banco de medula!

Abraços a todos